Sucesso na internet, o comercial do "Bebê sem papel" do banco Itaú, que mostra o menino Micah gargalhando enquanto seu pai rasga folhas de extratos bancários, despertou a ira da indústria gráfica brasileira. Assinada pela agência África, o filme do Itaú invadiu as redes sociais e virou hit no canal do banco no YouTube, com mais de quatro milhões de visualizações. A insatisfação com o comercial fez a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) encaminhar uma carta, no início de janeiro, à presidência do Itaú relatando os "equívocos" do comercial.
Segundo a entidade, o discurso sustentado na campanha não condiz com as características da produção de papel e celulose no país. Além disso, argumenta que nenhuma árvore é derrubada para a a produção de papel, e que 100% do insumo tem origem em florestas plantadas.
A Abigraf diz ainda que o filme do Itaú é um desincentivo ao uso do papel e que outras entidades ligadas ao setor também encaminharam cartas aos diretores do banco solicitando uma "revisão conceitual" da campanha.
- Não podemos aceitar que uma instituição do porte do Itaú preste esse desserviço à sociedade, transformando o papel de imprimir em vilão. Principalmente quando sabemos que o principal objetivo dessa campanha é a busca da redução de custos operacionais - argumentou o presidente da Abigraf, Fabio Arruda Mortara.
Já o Itaú respondeu que a mensagem do filme está alinhada com o posicionamento da instituição de incentivar o uso consciente e sustentável do papel. O banco alega ainda que o diálogo com a Abigraf tem sido "tranquilo, transparente e continua aberto", mas que que continuará a "incentivar e inspirar as pessoas a construírem relações mais sustentáveis".
- O Itaú Unibanco não desaconselha o uso do papel. A mensagem do filme está alinhada com o posicionamento da instituição de incentivar o uso consciente e sustentável, seja do dinheiro, do crédito ou do próprio papel - informou o banco, por meio de sua assessoria.
Para a diretora do Instituto GEA, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público que promove a cidadania e a educação ambiental, a defesa do setor industrial, de que o consumo de papel não pode ser o vilão na história já que esse papel vem de árvores reflorestadas, é equivocada:
- Isso não quer dizer que a gente tenha de gastar papel desenfreadamente. A gente está consumido, não só papel, mas uma série de riquezas naturais de uma maneira insustentável. O planeta não consegue repor. É como se a gente fizesse a compra para o mês e acabasse no décimo dia. Nós temos de reduzir o consumo, não só de papel, mas de tudo: de papel, de água, de carro. Tem de acabar com o desperdício – concluiu a diretora, Araci Musolino.
A campanha ainda foi alvo de uma brincadeira com a conturbada apuração dos votos do carnaval de São Paulo. Na internet, uma montagem associa a criança do comercial do Itaú com a imagem do integrante da Império de Casa Verde que rasgou os votos das escolas de samba. A brincadeira dizia: 'Ele cresceu'.
OPINIÃO :Acho que todos intenderam a mensagem que o banco quis passar para os clientes, que ele não precisam acumular papeis , e sim podem ter o uso do banco online, isso é só uma vantagem.Que alguns bancos ainda não possuem.
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